sábado, 9 de outubro de 2010

Da mais alta janela da minha casa


Da mais alta janela da minha casa
Com um lenço branco digo adeus
Aos meus versos que partem para a Humanidade.

E não estou alegre nem triste.
Esse é o destino dos versos.
Escrevi-os e devo mostrá-los a todos
Porque não posso fazer o contrário
Como a flor não pode esconder a cor,
Nem o rio esconder que corre,
Nem a árvore esconder que dá fruto.

Ei-los que vão já longe
como que na diligência
E eu sem querer sinto pena
Como uma dor no corpo.
Quem sabe quem os terá?
Quem sabe a que mãos irão?

Flor, colheu-me o meu destino para os olhos.
Árvore, arrancaram-me os frutos para as bocas.
Rio, o destino da minha água era não ficar em mim.
Submeto-me e sinto-me quase alegre,
Quase alegre como quem se cansa de estar triste.

Ide, ide de mim!
Passa a árvore e fica dispersa pela Natureza.
Murcha a flor e o seu pó dura sempre.
Corre o rio e entra no mar e a sua água
é sempre a que foi sua.

Passo e fico, como o Universo.

De Alberto Caeiro (Fernando Pessoa)

1 comentário:

Carmen Martins disse...

Oi Romy! depois da "bronca", vim correndo te visitar hehe
ah querida, parece incrível, mas o sucesso do blog trouxe uma coisa paradoxal: todas as queridas solicitam minha visita, mas imagina quantas são! só de seguidoras são mais de 1500, tenho no total, uns 50,60 comentários por dia, recebo uns 200 emails diariamente e eu tenho outro blog: o Achados de Moda!! afff mórri ahahahaha mas, olha, sinceramente, de coração, amo cada palavra que você e cada fofa me deixa. Aquece minha alma, viu? agora vou visitar te blog bjs!!